sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ainda sobre o pequeno príncipe

Características de Estabilidade e Navegabilidade

Estabilidade estática

O gráfico ao lado mostra o braço de restituição para ângulos de adernamento de 0 a 180 graus. Que informações este gráfico nos dá a respeito da estabilidade do Cruiser? Em primeiro lugar, vemos que o barco tem estabilidade positiva até um ângulo de quase 120 graus, ou seja, até este ângulo, o barco retorna à posição vertical por conta própria. Além disso, comparando as áreas formadas pela curva acima e abaixo do eixo de GZ=0, vemos que a energia necessária para virar o barco (área da curva positiva) é bem maior que a energia para desvirá-lo, ou seja, em condições de mar capazes de provocar uma capotagem, o barco provavelmente retornará a posição correta por conta própria em pouco tempo.
righting-arm-webAlém disso, a inclinação do gráfico até 30 graus indica uma grande estabilidade inicial, que permite carregar mais área vélica ou suportar ventos fortes sem necessitar rizar as velas. A vantagem é óbvia: mais vento=mais velocidade.

Plano Vélico

pequenoprincipe135gaff
armação carangueja (gaff rig)
Duas opções de armação Sloop são oferecidas: uma com maior área vélica (11 m2) na vela grande e na genoa (com gurupés), mas com centro de esforço mais baixo. A segunda versão tem menor área vélica (9,3m2), melhor desempenho no contravento, mas o centro de esforço das velas está na mesma posição longitudinalmente, e você pode optar por qualquer uma delas sem precisar modificar a posição da caixa de bolina.
Outra opção é a armação Catboat, muito popular fora do Brasil, em especial nos EUA. Uma única vela carangueja é armada num mastro montado quase na proa. Vantagens óbvias: cabine sem obstrução do mastro e simplicidade para armar e velejar.
O catboat é um barco de pesca e trabalho que foi muito utilizado na região de Cape Cod (Nova Inglaterra, EUA) no século XIX e começo do século XX, por sua estabilidade, capacidade de carga e facilidade de navegação, e após os anos 50 voltou a se tornar popular, desta vez como veleiro de recreio. É uma armação que tem como principal vantagem a facilidade de navegação em especial quando o barco é tripulado por uma pessoa apenas.
Apesar da maioria absoluta dos veleiros brasileiros utiliza velas grandes triangulares (bermuda rig), preferida em regatas devido ao melhor desempenho no contravento, mas a vela carangueja (gaff rig) é a que oferece melhor eficiência no vento de popa e de través. Como este não é um veleiro para regatas, preferi utilizar este tipo de vela, já que as suas vantagens, em minha opinião, compensam a sua deficiência na orça fechada.
Área Vélica e Centro de Esforço Lateral
lead_135Na figura ao lado você vê o plano vélico do Cruiser 135, agora batizado, por vocês, de Pequeno Príncipe. O Pequeno Príncipe dos mares é um veleiro diferente, porque seu projeto foi feito a partir de constantes pesquisas e enquetes com os leitores do site, e seu desenvolvimento levou em conta o compromisso entre custo, segurança e facilidade de transporte, guarda e uso, para ser um primeiro veleiro ideal para quem quer construir seu primeiro barco.
A idéia é que ele seja um veleiro ideal para o aprendizado, tanto da arte de contrução de veleiros em compensado  naval, quanto da arte de velejar.
A Área vélica é de 10m2, e a armação Gaff Rig (carangueja) tem um centro de esforço mais baixo, permitindo maior área vélica com menor adernamento. A armação escolhida também tem melhor desempenho em ventos de través e popa, perdendo para a armação marconi (sloop) apenas na orça fechada.

Os numeros do pequeno príncipe

Os Números do Pequeno Príncipe 135

Como havia prometido, aí vão os primeiros números do Cruiser 135, para que vocês possam ter uma primeira idéia das características e dimensões do barco, e uma primeira estimativa de desempenho e características de estabilidade. Coloquei também alguns desenhos do casco em 3D, feitos num software de projeto naval.
tela do FreeShip, onde o projeto está sendo desenvolvido
render-pequeno-principeComo se vê acima, trata-se de um casco de planeio e baixo calado. Mais detalhes abaixo:Comprimento na linha d´água:      3.629 [m]
Comprimento total:      4.233 [m]
Boca na linha d´água:      1.619 [m]
Boca:      1.816 [m]
Calado (sem bolina) :      0.22
Nesta configuração o barco desloca 600 kg, peso elevado para um pequeno veleiro. Supondo que ele tenha cerca de 120kg de lastro, e pese cerca de 150kg (casco), temos uma carga útil de quase 330kg. Permite, assim,  fazer velejadas mais longas levando água e mantimentos.
Coeficiente de bloco :        0.4659
Coeficiente prismático :        0.6155
O casco tem generosas superfícies planas, para permitir maiores velocidades em regime de semi-planeio, e o coeficiente prismático é elevado devido às dimensões da popa.
lateral-casco-cruiser-webEstes são apenas dados preliminares obtidos da análise da hidrostática d0 primeiro esboço do casco. Este terá que ser desenvolvido ainda, para que depois se faça o projeto do plano vélico, e depois da quilha e do leme. Apenas após a conclusão desta etapa será possível iniciar os desenhos técnicos, de construção.
Fiquem ligados nas próximas notícias para saber das novidades. Na próxima parte, primeiras estimativas de estabilidade do Cruiser 135.  http://gustavodantas.wordpress.com/projeto-cruiser/dimensoes-area-velica-cruiser-135/


Pequeno príncipe 135

Finalmente, um veleiro na medida para o construtor artesanal de barcos brasileiro!

pequenoprincipe135gaffDepois do sucesso do CD de projetos de veleiros para construção artesanal, decidi iniciar um projeto próprio, unindo o conhecimento adquirido em anos de pesquisa sobre o tema às minhas próprias idéias sobre como deveria ser um veleiro capaz de unir 3 características básicas: Baixo custo, facilidade e rapidez de construção, e compromisso aceitável entre conforto e desempenho. Explicarei melhor estes 3 itens abaixo:
  1. Baixo custo: se você tem dinheiro na conta, siga o conselho de um amigo meu, que comprou um casco Bruce Roberts 35 e o reformou inteiro, “não construa, compre pronto e vá velejar!” É claro que não construímos barcos apenas porque não podemos gastar, a construção de um barco, como de qualquer outra coisa (uma casa, um carro, seus próprios móveis), dá ao construtor uma dignidade e orgulho ao ver sua obra pronta e servindo, que não se pode comparar com nada que se compre. Mas quando se fala de um veleiro pequeno, digamos, de 16 pés, não vale a pena construí-lo se ele custar mais que 5000 reais, porque com esta quantia você pode comprar um Paturi usado. A não ser, claro, que você queira construir um barco específico, um desenho mais clássico, ou um layout específico, mas na faixa de 16 pés, o grande chamariz de um projeto para construção artesanal é o baixo custo e a simplicidade, para que o projeto sirva de escola para construtores iniciantes, que dispõe de pouco capital e pouco tempo disponível.
  2. Simplicidade e rapidez de construção: para um construtor amador, que procura seu primeiro veleiro para construir em compensado naval, um projeto deve ser simples e rápido, ou seja, o método de construção deve permitir que uma pessoa, sozinha, possa executar a maior parte da construção, excetuando a eventual viragem do casco, e instalação da quilha ou do lastro. Além disso, o melhor método é o que combina baixo custo de material com menor número de peças e simplicidade nas formas. É possível construir um casco muito barato usando tábuas parafusadas sobre cavernas e fundo chato, porém, a vedação e acabamento das tábuas, assim como a montagem de numerosas cavernas, pode prolongar a construção em demasia. Cascos de compensado naval sobre cavernas temporárias, como o Sztrandék, ou em “stitch-and-glue”, como o Vagabond 23, são simples de construir e utilizam poucas placas de compensado em comparação com, por exemplo, um Multichine 23 (projeto do Cabinho) ou um Pilgrim 590, que utilizam anteparas de compensado naval para apoiar as longarinas e o casco.
  3. Compromisso entre desempenho e conforto: a não ser que você seja um regateiro convicto, um veleiro deve oferecer um compromisso entre velocidade e conforto. Ou seja, se for muito lento, a tripulação vai ficar muito cansada até chegar ao destino, e uma tripulação cansada e desatenta é um problema para a segurança da velejada. Por outro lado, barcos de regata, com grande estabilidade de desenho e cascos de planeio, cockpits amplos e leves, tendem a ser duros em mar agitado, e não oferecem muito espaço se você quer um pernoite com algum conforto, e itens tais como beliches, cozinha, WC, e assim por diante. Mas aí trata-se de gosto pessoal. Eu pessoalmente prefiro um barco que permita viagens mais ou menos prolongadas, com conforto (tanques de água com uns 50 l, geladeira 12V ou caixa de gelo, fogão, WC, ducha no cockpit, etc.) e pé direito que permita, ao menos, ficar sentado nos beliches sem bater a cabeça no teto. Por outro lado, um barco deste tamanho tende a ser lento, devido ao seu comprimento, e por isso o casco deve permitir um desempenho razoável em planeio, embora cascos de planeio com popa muito larga sejam duros em mar agitado.
Assim o projeto Cruiser será o barco ideal para o construtor iniciante de veleiros, e será também um excelente veleiro para o velejador iniciante, já que terá um desenho voltado à estabilidade, segurança, conforto, que um velejador solitário poderá velejar com tranquilidade, sem catracas, tralhas e itens caros na mastração e velame. Enfim, a idéia é projetar um barco que seja fácil e barato de construir (abaixo de 3000 reais), que possa ser feito em pouco tempo (menos de um ano, utilizando apenas os fins de semana), e que seja divertido e confortável para um casal passear durante o fim de semana, sem precisar atracar.

Primeiros esboços

A partir da proposta inicial apresentada nos artigos anteriores, e dos resultados parciais da pesquisa feita com os leitores, desenvolvi os primeiros esboços e plano de linhas, e defini as caracterísiticas básicas do pequeno veleiro.
Em primeiro lugar, mudou bastante o desenho do casco e o layout interno. Os esboços mostrados nos artigos anteriores (partes 1 e 2) apresentam dois beliches, com bolinas basculantes sob cada um, para eliminar uma caixa de bolina no meio do salão. Entretanto, devido à pequena boca, e ao pé direito limitado devido ao tamanho do veleiro, optei por eliminar beliches e deixar o piso da cabine sem qualquer saliência ou obstrução. Assim, os tripulantes podem se sentar ou deitar livremente no piso. A caixa de bolina volta à posição central, para deixar espaço generoso para pernoite (dois metros de comprimento e 80cm de largura na parte mais larga). Lembrem-se, não dá para fazer milagres com uma cabine de 2m, e não se pode simplesmente fazer uma cabine de um 24 pés em miniatura, já que os tripulantes não podem ser encolhidos.
Quanto à cozinha, WC químico e caixa de gelo, ficam todos escamoteados sob o cockpit e nos armários laterais. O fogão pode ser um destes de camping, que fica de pé no armário, e se apóia sobre uma mesa basculante, e caixa de gelo e WC correm de compartimentos sob os bancos do cockpit para dentro da cabine. Os colchões são segmentados, e a parte que fica junto à antepara pode ser retirada e apoiada no costado para servir de encosto, quando os tripulantes estiverem sentados.
Vantagens: mais espaço para deitar e se mexer, pé direito baixo mas que permite sentar sem bater a cabeça no teto, menor complexidade, menor número de peças, menor custo, mais praticidade.
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plano de linhas do Cruiser 135
Quanto ao desenho do casco, optei por um casco de planeio, com popa larga, claramente esportivo. Por quê? Ora, quanto menor o comprimento na linha d’água, menor a velocidade máxima do casco (em deslocamento). Num barco deste LOA, a velocidade do casco fica por volta dos 5 nós, independentemente dos ventos. Porém, com um casco de deslocamento esta velocidade pode ser grandemente ampliada, como ocorre com os daysailers e barcos de regata. Além disso, um cockpit largo devido ao desenho da popa, oferece mais espaço para tripulantes e para armazenar motor de popa, velas, mantimentos, etc.
O comprimento, de 4,2m, foi escolhido porque permite montar as placas laterais do casco com apenas uma emenda (compensado naval vem em chapas de 2,2m x 1,6m), reduzindo tempo de construção e desperdíio de material. Aliás, tudo neste barco foi pensado para oferecer menor custo e maior simplicidade sem prejuízo do desempenho, diversão, segurança e praticidade. É claro que concessões tiveram que ser feitas no que se refere a conforto, pelos próprios limites de espaço definidos pelas dimensões. Porém, como se verá, a praticidade e versatilidade deste projeto mais do que compensam suas limitações.
plano_velico_cruiser_135
esboço do plano vélico do Cruiser 135
Quanto ao plano vélico, notem a semelhança da armação “gunter rig” com a armação “marconi” (sloop). Esta armação reúne as vantagens da marconi na orça fechada com o menor custo da armação carangueja (”gaff rig”, pouco conhecida no Brasil). Por dispensar trilhos, cruzetas, e uma série de equipamentos e assessórios caros, o “gaff rig” é muito atraente. Você pode fazer as velas em casa, assim como mastro, retranca e verga. Por este mesmo motivo optei por um perfil clássico, apesar do casco ter um desenho moderno.
Quanto ao método construtivo, estou ainda decidindo entre “stitch-and-glue” (costure e cole) e algo semelhante ao Sztrandék, sem cavernas, com as placas do casco fixas sobre longarinas apenas. O primeiro tem a vantagem de ser mais rápido e fácil de montar o casco, mas exige mais tempo fibrando o casco, fazendo as emendas, e depois lixando tudo. O método de casco sobre longarinas sem cavernas dá mais trabalho, já que exige anteparas temporárias para posicionar as longarinas, mas dispensa a fibragem no casco todo. Basta selar com epóxi, dentro e fora. A fibra pode ser aplicada na parte submersa para aumentar a resistência e evitar a infiltração de água após algum choque no casco. Este método também me parece ter um custo menor, já que a resina epóxi é cara.  https://gustavodantas.wordpress.com/projeto-cruiser/

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Leiam, é importante.

      Este texto foi extraído do site MADEIRA LEGAL, eu o publico por acha-lo muito importante nos dias de hoje, onde a preocupação com o meio ambiente é fundamental para a manutenção do planeta.
http://www.madeiralegal.com.br/Home/0100frame.html




Na hora de optar por um produto feito a partir de madeira, algumas pessoas têm receio em estar prejudicando o meio ambiente. Afinal, sempre que se fala em corte de árvores, automaticamente, cria-se a relação com a exploração inadequada de florestas nativas. Só que isso nem sempre é verdade. Parte do preconceito existente em relação a madeira também é fruto da falta de informação.

Na tentativa de poupar árvores do corte, buscam-se alternativas que, na realidade, são prejudiciais ao meio-ambiente. Optar por alumínio, plástico ou outros derivados do petróleo, em muitos casos é um grande engano. Afinal, estes produtos não são renováveis e nem biodegradáveis.

Por que essa polêmica em torno da madeira?

Afinal, se existe tanta desinformação a respeito do uso de madeira, de quem é a culpa?

O assunto é complexo e envolve muitos interesses e variáveis.

Sem dúvida, parte da culpa cabe a exploração predatória por madeireiros inescrupulosos.

Mas, para o bem da verdade, é importante sabermos que a maior parte das áreas desmatadas no Brasil é feita com a finalidade de abrir novas fronteiras para a agricultura e pecuária. Muitas vezes isso é feito na base do fogo, sem o aproveitamento da madeira. Nesse caso, cabe a sociedade definir que uso deve ser dado ao solo, sem esquecer das necessidades de madeira, alimentos e preservação ambiental. Lembrando também que uma população em constante crescimento e desenvolvimento consume cada vez mais recursos.

Outra parte da responsabilidade é do governo, com a falta de planejamento e políticas adequadas para o setor florestal e na fiscalização ineficiente.
Os consumidores também têm a sua parcela de responsabilidade, na medida em que não estão dispostos a pagar por madeira obtida de forma adequada.

Usar ou não usar ?

A verdadeira questão em torno do uso da madeira não é se devemos usá-la, mas sim, como usá-la.

Através do manejo de florestas nativas e do cultivo, conseguimos usufruir dos recursos florestais minimizando o impacto ambiental.

Por que usar

A madeira é um recurso com características notáveis e que apresenta uma série de vantagens, principalmente quando comparamos com as alternativas. Vejamos algumas dessas qualidades.

Recurso renovável

A madeira é um recurso natural renovável que pode ser cultivada como qualquer outra cultura. No caso das florestas nativas, podem ser manejadas de forma a obter uma constante renovação.

Diferente de outras culturas, o ciclo da madeira é relativamente maior. A soja, por exemplo, entre a época do plantio e da colheita bastam alguns meses. Quando falamos de madeira estamos falando de décadas. Para o uso racional, esse ciclo natural deve ser respeitado.

Biodegradável

A madeira é biodegradável. Decompõe-se naturalmente, ajudando a fertilizar o solo e sem deixar resíduos indesejáveis. Muito diferente do plástico que, por exemplo, leva séculos para decompor-se.

Reciclável e reutilizável

Mesmo depois de usada, a madeira ainda pode ser reaproveitada e utilizada para outras finalidades. Chegando até o ponto de uso total, como na utilização para a geração de energia.

Gasta menos energia na produção

Um produto de madeira gasta bem menos energia durante a sua fabricação do que o mesmo produto, em alumínio, aço ou concreto. O resultado é menos dióxido de carbono no ar.

Absorve CO2

Toda árvore absorve CO2, mas uma árvore nova absorve mais e de forma mais eficiente. Por outro lado, toda árvore também libera o CO2 que acumulou durante a vida, quando morre. Por isso em uma floresta madura, a quantidade produzida de CO2 (pelo apodrecimento das árvores mortas) tende a ser igual a quantidade absorvida de Oxigênio (pelas árvores jovens em crescimento). É uma conta que normalmente termina em zero. Assim, quando retiramos da floresta uma árvore adulta, sem esperar que apodreça, adiamos o processo de liberação do CO2 para quando a madeira for descartada. Um processo que pode não acontecer nunca. Enquanto existir um objeto de madeira ele é um verdadeiro depósito de CO2.

É isolante

A madeira é um ótimo isolante e quando usada na construção civil pode contribuir para um menor gasto de energia nas casas (tanto para aquecimento como para resfriamento).

Gera empregos

A indústria madeireira é responsável por muitos empregos no Brasil. Toda a cadeia produtiva do setor de base florestal emprega aproximadamente 6,5 milhões de pessoas, correspondendo à cerca de 9% da população economicamente ativa (PEA) do país.

Só a cadeia produtiva do setor de madeira sólida é responsável por cerca de 2,5 milhões de postos de trabalho. Desse total, aproximadamente 215 mil são mantidos diretamente na atividade, o que representa 4,3% do total de empregos gerados na indústria de transformação.

Gera superávit na balança comercial

No caso do Brasil, o setor florestal é responsável por um grande volume de exportações, trazendo divisas que o país tanto necessita.

No ano de 2002, o Brasil exportou aproximadamente US$ 60 bilhões. Desse total, o setor de base florestal participou com aproximadamente 7% e o de madeira sólida com cerca de 4%.


Entretanto, é importante ressaltar que as importações realizadas pelo setor de madeira sólida são consideradas insignificantes. Dessa forma as exportações se caracterizam como líquidas, ou seja, o valor total exportado é capaz de proporcionar uma geração líquida de divisas para o país. Esse aspecto destaca-se quando comparado a outros segmentos da economia, considerados grandes exportadores. Muitas vezes, esses setores necessitam de um volume grande de importações para suportar a produção, gerando assim, um baixo saldo comercial (divisas líquidas).


A contribuição específica do setor de madeira sólida corresponde aproximadamente a 16% do superávit brasileiro. Se somados os setores da madeira e papel, o da indústria de base florestal passa a ser o terceiro maior contribuinte para formação do superávit brasileiro, com uma participação de cerca de 27%.







Enquanto aguardam meu barco...

                     ABANDONAR o barco...

Navegando pelo RECANTO, hoje, encontrei uma certa tristeza no ar. Nos ventos suaves lamentos. Agucei o olhar. Não vi sinais de tempestades. Estranho e inexplicável silenciar de velas, remos e motores. No mar, calmaria. Deixei que as letras me guiassem. Encontrei barcos vazios. Senti arrepios e inquietações. Abduções coletivas? Pactos? Pestes? Barcos fantasmas? Que foi feito dos tesouros? Que foi feito das motivações para a viagem? Que foi feito com os investimentos? Passo pelos barcos à deriva, que balançam, em suas bandeiras, mensagens. Estranho! Terão sido Sequestrados? Tiveram tempo para deixar despedidas. Abandonaram os barcos. Analogias, metáforas, pensamentos e letras. Navego sem entender. Deixo pra trás barcos sem vidas, cemintérios de almas.








Imagem - Google
Juli Lima

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Técnicas de construção

 Strip Plank

Um belo método de construção sem nenhuma dúvida. É muito difundido na Austrália. Com ele, podemos construir um barco de casco redondo, ou carenado, onde temos ripas de cedro, ou outra madeira leve, coladas no sentido proa-popa, revestidos interna e externamente por uma camada de fibra de vidro.
Para aqueles que gostam de trabalhar com madeira, este método é o mais indicado. A velocidade de construção é grande e a qualidade final excelente.


stitch and glue 


2- O Método "Costure e Cole" ( do inglês "stitch-and-glue")
O barco é construído a partir dos painéis de forro das laterais e do fundo unidos uns aos outros com fita de fibra de vidro e resina epóxi. Onde na construção convencional vai um sarrafo de madeira na quina, no sistema "Costure e Cole", é colocada a fita de fibra de vidro com resina. Para que a fita possa ser aplicada, os painéis do forro são mantidos unidos através de arames ou fio de nylon em vários furos igualmente espaçados na borda das chapas, daí a expressão "Costure". A colocação de anteparas garante a resistência da estrutura assim montada, formando uma estrutura solidária, monobloco. A vantagem é que o trabalho necessário à construção é bem menor do que no sistema convencional pois não há necessidade de berço ou estrado para dar sustentação ao cavername que não existe propriamente naquele sentido. O número de ferramentas empregado é mínimo, bastando em linhas gerais, utilizar uma serra circular, lixadeira de cinta, furadeira portátil, plaina, esquadro e trena, além do necessário para a aplicação da fibra e da resina epóxi que inclui equipamento de segurança adequado, como respirador com filtro apropriado e luvas de proteção . 






Lapstrake
     Essa técnica consiste basicamente em sobrepor tábuas  sobre um molde até a formação do casco.



      Para a construção de pequenas embarcações aconselho a técnica do stitch and glue, por ser ela mais fácil de assimilar para quem está começando e não tem muita noção de marcenaria.

Compensado naval

     Muitos materiais distintos , podem ser usados na construção de pequenas embarcações. No entanto quando falamos de construção artesanal, o melhor material para esse fim é o compensado naval, devido a sua versatilidade. Alem de ser forte e rígido, tem menos chances de empenar que uma tábua solida, alem disso está disponível em uma grande faixa de espessura. Nos compensados de aplicação naval, é essencial que sejam utilizadas lâminas de primeira qualidade e que o adesivo para laminação destas seja a prova d'agua. O adesivo usado em geral para a colagem das laminas que formarão o compensado naval é a cola fenólica. Basicamente usa-se o compensado naval por ser ele a prova de descolamento pela ação da água.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

São Paulo boat show

    Começa nessa quinta 14 de outubro na capital paulista, o São Paulo Boat Show, e vai ate o dia 19 de outubro de 2010. Essa é a maior feira da américa latina. O bom momento do mercado brasileiro de barcos é explicado por uma combinação de fatores. A crise econômica mundial diminuiu a demanda pelo produto nos países desenvolvidos. Pior: vários pedidos foram cancelados por gente que perdeu tudo com o derretimento de algumas instituições. Com a falta de compradores, os estaleiros passaram a dar mais atenção os países que saíram rapidamente da crise, em especial os emergentes, como o Brasil. Combine o cenário negativo lá fora com a valorização do real frente ao dólar, que facilitou a produção local (grande parte dos insumos são trazidos de fora do País) e a importação de barcos novos. E acrescente o crescimento da economia brasileira, que aumentou o número de compradores em potencial. “O mercado brasileiro cresce no ritmo brasileiro”, disse Ernani Paciornik, idealizador e presidente da São Paulo Boat Show. De 2006 para cá, o mercado de barcos cresceu 20%.

Resinas

      Existe basicamente trez tipos de sistemas de resinas para laminação náutica., são as resinas poliéster, estervinílicas e epoxy. Estes trez tipos de resinas, são conhecida como termo fixas, pois depois de catalisadas e curadas, elas se tornam insolúveis, ao contrário das termo plásticas que podem ser recicladas. 

Resina poliéster: São as mais comuns para laminação geral. Existe uma grande quantidade de tipos disponíveis que apresentam as mais variadas combinações de propriedades, cada uma desenvolvida para uma aplicação específica.
vantagens : custo baixo, disponibilidade imediata, facilidade de utilização em temperatura ambiente com propriedades mecânicas aceitáveis

desvantagens : a baixa elongação antes da quebra, alta contração, baixo poder de colagem e baixa resistência a agua.

Resina epoxy : São uma classe de resinas termo fixas com uma grande variedade de aplicações, o que dá extrema versatilidade de utilizações em diferentes técnicas e processos. A resina epoxy pode ser utilizada como resina de laminação, como selantes, adesivo, tintas, vernizes e muitas outras aplicações.

Vantagens : pode ser usada para colar o barco assim como para a laminação com fibra de vidro.

Desvantagem : custo muito alto.

Resina estervinílica :  A resina estervinílica é similar a resina poliéster, associando a facilidade de aplicação e cura das resinas poliéster e as excelentes propriedades de resistência da resina epoxy. Laminados fabricados com resina estervinílica apresentam uma menor absorção de água e menor hidrólise, que nada mais é do que a quebra da cadeia molecular pela ação da agua, quando comparada com as resinas convencionais de laminação.

      Acima um apanhado geral das trez principais resinas usadas na laminação, sendo que para construção de pequenas embarcações aconselho o uso da resina epoxy, por um motivos básicos: com a mesma resina cola-se o barco e também lamina-se o casco. Dúvidas ou informações mais específicas entrar em contato atravéz do meu E-mail, ou na área de comentario deste post.  jesse.teixeira@ig.com.br









quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Fibra de Vidro

   

O QUE É FIBRA DE VIDRO?
Fibra de vidro (ou fiberglass) é um material produzido basicamente a partir da aglomeração de finíssimos filamentos flexíveis de vidro. A fibra de vidro precisa ser usada em conjunto com uma resina e produz uma superficie bastante resistente.

Tipos de fibra de vidro


 Roving - São fios de fibra de vidro, que são usados com pistolas de spray-up, para trabalhos de grandes dimensões.
 Manta - São encontradas em rolos de varias larguras, e são usadas em geral para reparo estrutural








Tecido - usado na laminação estrutural
trama plana
     Para construção de pequenas embarcações usa-se normalmente a manta ou o tecido de fibra de vidro, e sua função e apenas estrutural, dando reforço em toda a estrutura do barco, quando a laminação for feita na parte interna e externa do casco, e quando for usada apenas nas junções onde o barco foi colado.
    Existe no mercado fibras de vidro com muitas tramas diferentes como as unidirecionais, as bidirecionais, as multiaxiais etc... .A mais comum  encontrada no mercado é a trama plana.
    Para o construtor de pequenos barcos será usada apenas o tecido para laminação do casco inteiro ou apenas nas junções. Há muito o que se falar sobre fibra de vidro, e quem estiver interessado em conhecer mais profundamente esse material, aconselho a consultar o livro do eng. Jorge Nasseh, e buscar na web mais artigos sobre fibra, para nos, pequenos construtores basta conhecer tecido e manta de fibra de vidro. Para tirar alguma dúvida ou conseguir informação adicional, basta escrever para o meu E-mail ou usar a área de comentários.  jesse.teixeira@ig.com.br
   
  

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Laminação com fibra de vidro ou fiberglass

    Para quem deseja construir seu próprio barco, principalmente para quem vai trabalhar com resina e fibra de vidro pela primeira vez, aconselho antes dar uma estudada a respeito da laminação com fibra de vidro e resina, conhecido também como fiberglass. No excelente livro do engenheiro Jorge Nasseh, se pode aprender muito sobre resina e fibra de vidro, e ainda existe no mercado vasta literatura a respeito desse assunto. Na Web encontra-se muitos artigos e vídeos que aconselho serem lidos e vistos, antes de se arriscarem.Alem do já citado livro do Jorge Nasseh, deixo aqui uma indicação de um livro muito bom sobre laminação, que pode ser adquirido no link: http://www.livrostecnicos.com/

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Projetos de barcos

tender 11"
     Para aqueles que estão interessados em adquirir um projeto de barco para construção artesanal, eis aqui um link de um excelente site para isso.http://www.arqnav.com.br/

domingo, 10 de outubro de 2010

Gênesis, o início

      Para começar este blog, minha primeira postagem será para fazer propaganda do excelente livro do engenheiro Jorge Nasseh, sobre a construção de barcos. Depois de muito pesquisar, só encontrei este livro em português sobre este assunto. Este livro pode ser adquirido no site da barracudatec. http://www.barracudatec.com.br/barracuda2009/index.htm